Ser professor é sem dúvida para quem ama o que faz, uma realização.
Com 29 anos de profissão estou a cada dia sentindo que os saberes são agregados aos saberes
que já os adquiri ao longo do tempo. Paulo Freire nos deixou uma experiência de prática educativa de grande valor, uma riqueza de conhecimento, de humildade... Fez-me refletir sobre minha prática educativa. Por exemplo: o ato de cozinhar, supõe alguns saberes concernentes ao uso do fogão, como acendê-lo, como equilibrar para mais, para menos, a chama, como lidar com certos riscos mesmo remotos de incêndio, como harmonizar os diferentes temperos numa síntese gostosa e atraente. A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo. Portanto, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docêcia sem Discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Na minha compreesão do processo de conhecimento, ensinar e aprender não se dá separadamente.
Fonte: Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia, 15.ed., São Paulo: Paz e Terra, 1996,pp. 80-85. (caderno pedagógico)